Leite e derivados: fazem bem para a saúde? são amigáveis a dieta paleo?

Esse assunto é um dos mais polêmicos quando o assunto é dieta paleolítica. Quando consideramos as diretrizes de forma mais rígida, não, o leite e seus derivados não são paleo. Uma vez que consumimos o leite apenas quando somos crianças, como fonte principal de nutrientes e um aporte inicial para o nosso sistema imunológico.

Uma vez que, naturalmente, nosso organismo produz a lactase até os 2 anos de idade, apenas para cobrir o tempo de amamentação. Não é de se admirar que o leite de vaca (e outros mamíferos) não fazia parte da dieta dos nossos ancestrais. Mesmo porque é de se imaginar que nossos ancestrais ainda não ordenhavam vacas ou outros animais na era paleolítica. Afinal de contas, foi apenas com a agricultura e a domesticação de animais é que passamos a ter leite, manteiga, iogurte e derivados na nossa alimentação.

Outra evidência de que você pode se beneficiar de moderar no leite (e seus derivados) é justamente o seu potencial alergênico. Grande parte das pessoas não possui o organismo adaptado para processar a lactose e a caseína.

Mas é claro, como a dieta paleo se trata de equilíbrio, para algumas pessoas o consumo moderado de leite e derivados não significa o apocalipse. De qualquer forma, confira em mais detalhes o nosso artigo e aprenda tudo que você precisa saber! 😉

jarra e copo de vidro, cheios de leite

Benefícios do leite

Como já mencionamos anteriormente. Quem procura ganhar massa muscular pode se beneficiar com o consumo de leite, uma vez que ele estimula a produção de insulina e contém hormônios de crescimento, ele pode auxiliar no crescimento de músculos.

Aliás, “pequeno” detalhe: apesar de possuir um índice glicêmico relativamente baixo, uma vez no organismo, o leite tem a capacidade de elevar (e muito) a produção de insulina.

O consumo dos derivados fermentados de leite (como iogurte, queijo, kefir) é uma forma de introduzir bactérias benéficas no sistema digestivo (mais especificamente no intestino). Além disso, a fermentação do leite acaba processando a maior parte da lactose.

Contras do leite

Lactose e Caseína

As alergias e intolerâncias a lactose, caseína e outros componentes do leite é um dos pontos negativos do seu consumo.

Aliás, estima-se que apenas 20% da população está adaptada para o consumo de leite, ou seja, os outros 80% estão divididos entre intolerantes, alérgicos ou pessoas que conseguem lidar com pequenas quantidades de lactose e outros componentes.

Estimula muito a produção de insulina

Outro ponto que torna o leite um alimento não tão desejável é sua grande quantidade de açúcares, que estimulam a produção de insulina pelo nosso organismo. E esse efeito permanece em vários derivados do leite.

Hormônios

O leite também é rico em hormônios do crescimento, em especial o IGF-1 (Insulin like growth factor – 1).

Outro ponto: o consumo de hormônios de crescimento aceleram o ganho de massa muscular, mas também possuem efeitos negativos: eles também aceleram o processo de envelhecimento. Além disso, também auxilia o crescimento de cânceres e tumores.

Dificulta a absorção de zinco e ferro

Zinco e ferro são dois minerais essenciais para a nossa saúde. E a grande quantidade de cálcio presente no leite é justamente o fator que influencia na absorção de ferro e zinco pelo nosso organismo.

Tanto o ferro quanto o zinco participam de diversos processos metabólicos no nosso corpo e suas deficiências estão associadas a: anemia, nascimentos prematuros, performance sexual e infertilidade, redução das funções do sistema imunológico, susceptibilidade à doenças respiratórias, redução de colágeno (e como consequência: estrias, rugas, etc), degeneração macular, entre outras.

Processo de fabricação

Agora entramos em uma classe especial de contras. A qualidade e o potencial do leite de causar problemas de saúde é diretamente afetada pelo processo de fabricação e embalagem desse alimento.

A maior parte do gado é criado em sistema intensivo. Ou seja, são alimentados com com ração à base de grãos (soja e milho, principalmente). O resultado é um leite (e carne) rico em ômega 6 e pobre em ômega 3. Esse desequilíbrio dispara processos inflamatórios no nosso corpo.

Além disso, as vacas atualmente também são criadas com uma grande quantidade de antibióticos, hormônios de crescimento e melhoradores de desempenho. E o leite, por consequência, acaba por receber esses venenos com ele.

Aliás, além dos hormônios de crescimento, o leite também contém determinados tipos de estrogênios, cujo consumo está associado com câncer de próstata em homens. Vale lembrar que esse problema é particularmente acentuado pelo processo atual de fabricação do leite, onde as vacas são inseminadas praticamente sem descanso, para garantir uma produção prolongada de leite.

Derivados de leite

Alguns derivados de leite podem ser uma boa escolha, mas é necessário levar em consideração a procedência do leite usado nesses derivados.

Queijos, iogurtes e derivados fermentados

De maneira geral, os derivados fermentados de leite são consideradas fontes interessantes de bactérias boas para o intestino. Entretanto, é interessante considerar o consumo desses alimentos quando feitos a partir de leite de vacas criadas de forma amigável: em pastos, sem uso de rações à base de grãos, sem uso de antibióticos e melhoradores de desempenho.

Sim, esse tipo de queijos e iogurtes são bem difíceis de encontrar, por isso, considere moderar o consumo desse tipo de alimento.

Aliás, vale lembrar que o queijo e demais fermentados também estimulam a produção de insulina no corpo. Caso seu foco seja emagrecer, mais um motivo para moderar o consumo desses alimentos.

Manteiga

Quando feita a partir de leite de vacas criadas e alimentadas em pasto orgânico, sem antibióticos e outras químicas, o resultado é uma manteiga rica em vitamina K2, ômega 3, CLA (ácido alfa linoleico conjugado, um excelente antioxidante). Como a manteiga é basicamente gordura, esse derivado possui pouquíssimos traços de lactose.

Para eliminar totalmente os traços de lactose, basta clarificar a manteiga ou comprá-la já clarificada (ghee).

Se você tiver acesso a uma manteiga ou ghee nesses termos, não tenha medo de incluir esse alimento na dieta. 😉

Whey protein (Proteína do soro do leite)

Se você pratica musculação ou outros tipos de esportes que exigem mais dos seus músculos, você talvez queira considerar adicionar esse suplemento na sua dieta. Entretanto, procure escolher de maneira a ter a menor concentração de substâncias desnecessárias. Aliás, nós montamos um artigo bem específico sobre o assunto, confira: Whey protein é Paleo?

Lembre-se também que o whey protein também dispara a insulina. Portanto, modere o uso caso seu objetivo seja emagrecimento.

Conclusão

Se você tem alguma sensibilidade, intolerância ou alergia relacionada ao leite, você deve considerar remover esse alimento (e seus derivados) o quanto antes de sua dieta.

Agora, se você não possui nenhuma sensibilidade ao consumo, procure pelo menos moderar e fazer escolhas mais conscientes: procure consumir apenas leite e subprodutos do leite com parcimônia (com exceção da manteiga clarificada), além disso, priorize sempre o leite de animais criados soltos, no pasto orgânico, sem uso de rações e antibióticos. 😉

vaca pastando

 

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