Glúten: bom ou ruim para a saúde?

Glúten é um composto formado por duas proteínas: gliadina e glutenina, e é encontrado apenas em grãos, principamente em trigo, cevada, aveia, entre outros. O glúten é a substância que, quando misturada com água, dá o aspecto elástico para as massas à base de trigo (ahá!).

Mas novidades aí: o glúten não é tão benéfico assim para a saúde. Confira aqui alguns motivos para você evitar alimentos com glúten.

pão

Pirâmide Alimentar

Você já deve ter escutado que para ter uma alimentação saudável é necessário aumentar o consumo de grãos integrais e reduzir o consumo de gordura, certo? E que basta seguir a pirâmide alimentar que você está certo:

pirâmide alimentar

Mas e se dissermos para você que essa afirmação está errada?

Conheça Ancel Keys

Ancel Keys foi um cientista americano que estudou a influência da dieta na saúde. Sua teoria era a de que o consumo de gorduras saturadas está diretamente correlacionado com doenças do coração e obesidade.

Ele foi o responsável pelo estudo dos 6 países, no qual concluiu que o consumo de gorduras saturadas (provenientes de carnes, ovos, leite e seus derivados) são ruins para saúde e causam câncer e obesidade, já as gorduras provenientes de vegetais são boas para a saúde.

Inicialmente Keys utilizou em sua análise cerca de 22 países e suas populações, correlacionando o número de calorias obtidos através de gorduras saturadas e a ocorrência de morte por arteriosclerose e doenças degenerativas do coração; e esse estudo corroborava com suas teorias, mesmo que de forma bastante sutil.

Uma das críticas feitas a Keys atualmente é de que a seleção dos 6 países foi aleatória e apresentavam as correlações mais fortes com suas teorias.

De qualquer forma, um dos problemas desse estudo é que ele considera apenas a conexão entre a quantidade de calorias obtidas através de gorduras animais e desconsidera outras informações relevantes, como:

  • calorias de carboidratos simples (amido e massas), consumo de frutose, etc;
  • Incidência de outros tipos de doenças do coração nas populações consideradas; etc.

E bem, como você já deve saber – estudos como esse é que moldaram as diretivas alimentares tão propagadas nos últimos 50 anos de história. Abaixo, segue um gráfico da evolução de obesidade e sobrepeso em norte americanos a partir de 1960:

estudo de obesidade

Conforme a pirâmide se tornou mais popular, maior o índice de sobrepeso.

Mas de qualquer forma, o foco desse artigo é a correlação entre glúten e doenças – sobre açúcar e carboidratos simples, confira o nosso artigo sobre os efeitos dos açúcares no corpo.

Produtos a base de trigo

Com essa tendência para reduzir o consumo de gorduras e colesterol e aumentar o de cereais integrais, o trigo começou a ocupar cada vez mais espaço na dieta. Pare para pensar, quantas refeições por dia você tem trigo na sua dieta?

Café da manhã: come pão com manteiga, margarina, geléia? Torradas?

Lanches: bolachas ou biscoitos? Pão com presunto e queijo? Roscas?

Almoço ou jantar: massas?

E esses são apenas os alimentos em que sabemos que o trigo está presente – e aqueles que não temos a menor idéia, mas que contém trigo em sua fórmula?

Sim, o trigo (e consequentemente o glúten), tomaram uma parte muito grande na alimentação das pessoas.  

Doenças associadas ao glúten

Doença Celíaca, Sensibilidade ao Glúten e pessoas normais

Quando o glúten chega no trato digestivo, o sistema imunológico pode confundí-lo com algum agente invasor, como uma bactéria ou vírus. Em pessoas sensíveis ao glúten, essa reação do sistema imunológica é muito mais intensa.

Nos celíacos, além das moléculas de glúten, o sistema imunológico também ataca parte dos sistema digestivo, causando a degeneração das paredes do intestino (por isso é uma doença autoimune). Essa degeneração das paredes do intestino causam vários danos colaterais: problemas digestivos, anemia, fatiga e também outras doenças.

Valendo lembrar dois pontos:

1) Nem todas as pessoas sensíveis ao glúten tem a doença celíaca.

2) Nem todos os celíacos são diagnosticados. Muitas pessoas possuem a doença mas não tem os sintomas abdominais.

A diferença entre doença celíaca e sensibilidade ao glúten mora justamente na degeneração do sistema digestivo. Na doença celíaca, os tecidos do intestino são atacados pelo sistema imunológico. Já em caso de sensibilidade, apenas ocorrem os sintomas – dores de cabeça, gases, entre outros.

Como ainda não existe uma forma definitiva para identificar a sensibilidade ao glúten ou sua intensidade, uma das melhores maneiras ainda é eliminar o glúten da dieta e reinserí-lo.

Pessoas normais: mas até quando?

Bom, se você não tem sensibilidade ao glúten, nem doença celíaca, pode até pensar que não precisaria se preocupar com o glúten, certo?

Entretanto, o glúten pode causar inflamações no sistema digestivo, mesmo em pessoas que não possuem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. Isso ocorre porque as proteínas do glúten irritam as paredes do intestino, causando reações inflamatórias.

Inflamação, permeabilidade intestinal e doenças autoimunes

A inflamação dos intestinos contribui para um problema chamado permeabilidade intestinal. Quando essa condição acontece, partículas de material que deveriam ficar no seu intestino podem escapar para a corrente sanguínea.

As paredes intestinais normalmente permitem apenas que os nutrientes absorvidos dos alimentos entrem na corrente sanguínea, mas quando os intestinos estão mais permeáveis, outros elementos podem escapar.

O problema maior aqui não é exatamente a permeabilidade nas paredes intestinais, mas sim sua correlação com o desenvolvimento de doenças autoimunes, como:

  • Diabetes tipo 1
  • Fibromialgia
  • Artrite reumatóide

Doenças do Cérebro

Quando se fala de doenças e glúten, imediatamente pensamos em sintomas associados ao intestino, certo? Mas o glúten também está associado com algumas desordens cerebrais.

Em um estudo com pacientes com doenças neurológicas, cerca de 57% dos pacientes possuem anticorpos para glúten no corpo. Bom, até aí, a informação não diz muita coisa, certo? Mas estudos complementares indicam que uma dieta livre de glúten é capaz de melhorar os sintomas de diversas doenças do cérebro, sendo algumas delas:

  • Esquizofrenia
  • Autismo
  • Epilepsia

Mas existe uma doença em particular que é fortemente correlacionada com o consumo de glúten: ataxia cerebelar. Ela causa diversos problemas nas funções desempenhas pelo cerebelo: equilíbrio, movimento do corpo, fala, entre outros. Alguns estudos levam a crer que esse tipo de ataxia pode ser parcialmente causada pelo consumo de glúten.

Lista de alimentos livres de glúten

Se você está considerando em adotar uma dieta livre de glúten, segue abaixo a lista de alimentos que não tem esse composto de proteínas:

  • Frutas
  • Vegetais
  • Carnes, Aves e Ovos
  • Leite e derivados (sem aditivos): Leite, Iogurte, creme de leite, queijo (exceto gorgonzola).
  • Gorduras e Óleos
  • Grãos: arroz, milho, linhaça, quinoa, soja.

Mas temos uma boa novidade: a dieta paleo é uma dieta naturalmente livre de glúten – que tal dar uma chance para um estilo de vida mais saudável? 

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