Adoçantes: será que devo usar?

Se você está tentando reduzir as calorias e açúcar na dieta e começou a usar adoçantes, você não é o único.

Atualmente os adoçantes e outros substitutos do açúcar são encontrados em uma grande variedade de comidas e bebidas, normalmente marcadas como “livres de açúcar” ou “diet”. Essas substâncias estão presentes em chicletes, sobremesas, sorvetes, sucos de frutas, iogurtes, entre outras.

Mas será que esses adoçantes e substitutos realmente são bons para a sua saúde?

stevia

O que são os adoçantes?

Os substitutos de açúcar são substâncias que têm o mesmo sabor do açúcar, em maior ou menor intensidade, e que são usadas no lugar do açucar de mesa (sucrose) em casa, no preparo de alimentos e até mesmo na indústria. Ou seja, os adoçantes são apenas um dos tipos de substitutos do açúcar.

Apesar de terem se tornado mais populares nos últimos anos, os adoçante existem a alguns bons anos. A sacarina foi descoberta em 1879, por Constantine Flahlberg enquanto trabalhava com derivados de alcatrão e essa substância continua presente até hoje nas prateleiras de farmácias e supermercados, na ala de produtos dietéticos.

Já o xilitol foi descoberto em 1891 – é um substituto de açucar que normalmente possui um sabor ligeiramente refrescante. É usado normalmente com outros adoçantes como uma substância para diminuir o gosto amargo residual.

A estévia foi descoberta em 1905 e é um dos adoçantes que não são metabolizados pelo corpo.

Já o ciclamato foi descoberto em 1937 por Michael Sveda – o ciclamato normalmente é usado junto com a sacarina, para amenizar o sabor amargo dessa última. Em 1969, o FDA (Estados Unidos) baniu o ciclamato das prateleiras por causa de seu potencial de causar diversos tipos de câncer. A partir desse momento começou a ocorrer uma preocupação maior com relação também a sacarina. Por alguns anos todos os produtos com sacarina passaram a conter um aviso. Entretanto, em meados de 1980, estudos refutaram a correlação entre ciclamato e câncer, pois teoricamente o efeito cancerígeno ocorre apenas em roedores. Entretanto, os produtos com ciclamato continuam com avisos em mais de 50 países.

Em 1965 o aspartame foi descoberto por James Schlatter, em sua tentativa de descobrir novos remédios para úlceras.

Uma das descobertas mais recentes foi a sucralose, em 1979. Essa substância é um derivado da sucrose.

Como os adoçantes funcionam?

De maneira geral, os adoçantes são substâncias que tem o poder de adoçar os alimentos, mas adicionando bem menos calorias que o açúcar ou mesmo nenhuma calorias a eles, certo? Mas como será que isso é possível?

Vamos entender primeiro como funciona a nossa percepção de sabores. Ao longo da nossa língua existem milhares de receptores de sabor, de vários tipos. Esses receptores estão localizados principalmente nas papilas gustativas. Conforme ilustra a figura abaixo:

língua e receptores de sabor

 

Valendo lembrar que esses receptores não estão localizados apenas nas papilas gustativas, mas existem receptores em outras partes do trato digestivo, como o intestino.

Cada um desses receptores é capaz de “perceber” apenas um determinado tipo de molécula, e normalmente esses tipos de moléculas estão associados a um sabor. Os receptores do sabor doce respondem não somente aos açúcares calóricos (açúcar, mel, etc), mas também aos adoçantes.

Um adoçante ou substituto de açúcar consegue adicionar nenhuma caloria a sua comida quando eles não podem ser metabolizados pelo seu corpo, e são expelidos exatamente na mesma forma que foram consumidos.

O problema dos adoçantes

O problema dos adoçantes é que sua classificação ainda é bastante aberta a interpretações. Tome como exemplo a estévia. Vários fabricantes classificam seus produtos como naturais apenas por serem derivados dessa planta. Quando, no fundo, esses produtos foramprocessados, refinados e passaram por diversas transformações físicas e químicas para chegar no produto que você comprou no supermercado, em uma embalagem elegante e toda verdinha. E aí, será que esse produto final é realmente natural?

Outro ponto que deve ser ponderado: atualmente muitas das pessoas que querem perder peso acabam recorrendo a produtos diet/light e uso de adoçantes de maneira indiscriminada, como se esses produtos realmente fossem capazes de emagrecer – na verdade eles apenas reduzem as calorias que você consumiria através do açúcar de mesa, mas não adianta nada se você aumenta o número de calorias que você ingere no dia.

Um exemplo prático: vamos supor que você gosta de tomar seu café com açúcar e trocou por adoçantes na esperança de perder algumas gordurinhas. Mas ao mesmo tempo que você passou a tomar o seu cafézinho com adoçante, você aumentou a quantidade de biscoitos e massas que você consome durante o dia (sem ao menos perceber). E aí, será que o efeito de trocar o açúcar por adoçante será o esperado?

Também deve ser considerado o seguinte aspecto – não necessariamente os adoçantes são mais saudáveis que o açúcar regular – diversos estudos apontam a correlação de adoçantes com ganho de peso (!), diabetes(!!), doenças do coração(!!!) e câncer (!!!!).

Pasmou também, certo? Então mate a sua curiosidade lendo o restante do artigo.

Adoçantes e a insulina

Muitas foram as teorias propostas para a correlação entre adoçantes e ganho de peso. Se você costumava acompanhar as matérias sobre o assunto, uma das teorias mais difundidas era a de que os adoçantes mudavam a nossa percepção de sabores, e que isso nos leva a trocar os alimentos mais saudáveis (frutas e vegetais) por alimentos menos saudáveis (processados, cheios de açúcar, sal ou gorduras). Mas não é bem só isso.

Estudos mostram que o estímulo dos receptores do intestino com sucralose levam ao aumento da absorção de açúcar pelo intestino, levando ao aumento da insulina secretada pelo corpo. Que potencialmente afetam o ganho de peso, apetite e aumento da quantidade de açúcar no sangue – esse último item, no médio/longo prazo pode fazer com que as células se tornem resistentes à insulina. Por sua vez, o pâncreas precisa produzir muito mais insulina para que a glicose seja removida da corrente sanguínea – essa condição vai se intensificando até o pâncreas simplesmente não conseguir mais produzir tanta insulina – que é a diabetes tipo 2 (mais informações no nosso artigo sobre açúcar).

Ou seja, potencialmente:

Adoçante engorda e ainda pode levar a diabetes tipo 2.

Adoçantes e cancer?

Esse é um assunto ainda bastante controverso – diversos estudos apontam que existe uma correlação entre adoçantes e diversos tipos de câncer, enquanto outros estudos são inconclusivos.

Por sinal, estudos recentes pela universidade de Campinas (Unicamp), mostrou que a sucralose, quando aquecida a 98 graus libera compostos que podem ser tóxicos ao corpo humano (organoclorados) e que tem efeito cumulativo no organismo. Mas ainda são necessários novos estudos para confirmar e entender os efeitos ao longo prazo.

De qualquer forma, é interessante ficar longe de adoçantes caso você não tenha real necessidade de usá-los. 😉

Gostou dessas dicas?

Fontes:

  • Swithers SE, Patterson NA. Artificial sweeteners produce the counterintuitive effect of inducing metabolic derangements. Trends in Endocrinology & Metabolism. 2013.
  • Rebecca J. Brown, Mary Ann De Banate, and Kristina I. Rother. Artificial Sweeteners: A systematic review of metabolic effects in youth. 2010.
  • Qing Yang, Gain weight by “going diet?” Artificial sweeteners and the neurobiology of sugar cravings. 2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *